Trabalho e educaçao

A educação não pode ser mais vista como solução para os problemas sociais e econômicos da maioria da população, pois vivemos um projeto econômico que, embora precise do aumento educacional dos membros envolvidos nele, cada vez mais planeja crescer sem precisar aumentar significativamente o capital humano.

O discurso da empregabilidade nos dias atuais promovido pela escolas e por nossa sociedade passou a significar uma desvalorização do princípio universal do direito ao trabalho e, de forma associada, uma revalorização da lógica competitiva interindividual na disputa pelo sucesso num mercado estruturalmente excludente. Tal lógica contribue para diminição dos postos de trabalhos e para um aumento da carga de trabalho para os que estão empregados. Ao mesmo tempo instaura um ambiente ameaçador sobre os empregados, que os impedem de refletir abertamente sobre sua condição. Enfim, não existe mais uma política de produção de emprego em nosso país.

Pablo Gentili apresenta este argumento que preconiza que educação e desenvolvimento social não caminham mais juntos:

A desintegração social promovida pelos regimes neoliberais, em contextos marcados por um aumento significativo dos índices de escolarização, demonstra que a educação e o desenvolvimneto se relacionam, mas não, necessariamente, de uma forma positiva (2001, p. 56). [...] no novo século a evidência parece ser outra: as economias podem crescer excluindo e multiplicando a discriminação a milhares de pessoas. Nesse sentido, o discurso da empregabilidade tem significado uma desvalorização do princípio (teoricamente) universal do direito ao trabalho e, de forma associada, uma revalorização da lógica competitiva interindividual na disputa pelo sucesso num mercado estruturalmente excludente (2001, p. 54).

De certa forma, tal tese também é constatada, embora em outra perspectiva, nos dados analisados na pesquisa do IPEA, publicados em 2006:

Observou-se uma forte tendência de tomar os benefícios individuais da educação e extrapolá-los para a sociedade. O perigo aqui é o que se denomina falácia de composição. O que é verdade para o indivíduo – maior escolaridade implica mais renda pessoal – pode não ser verdade para a sociedade com um todo. Ainda que se verifique que, em geral, quanto maior a escolaridade média de uma sociedade maior é o seu Produto Interno Bruto (PIB), analistas mais cuidadosos concordam que não se pode usar dados sobre indivíduos para afirmar que, se todos tiverem mais educação, a economia crescerá, melhorando a renda de todos. Esse pode e parece ser o caso, mas não fica demonstrado pela extrapolação do individual para o macrossocial (2006, p.122).

Enfim, a educação não pode ser mais vista como solução para os problemas sociais e econômicos da maioria da população, pois vivemos um projeto econômico que, embora precise do aumento educacional dos membros envolvidos nele, cada vez mais planeja crescer sem precisar aumentar significativamente o capital humano.

Referência Bibliográfica

Gentili, Pablo. Três Teses sobre a Relação Trabalho e Educação em Tempos Neoliberais. In: Lombardi; Saviani; Sanfelice (orgs.). Capitalismo, Trabalho e Educação. Campinas, SP: Autores Associados, 2001.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. BRASIL: O ESTADO DE UMA NAÇÃO 2006. Brasília: Ipea, 2006.








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