A base da confiança

A confiança e a credibilidade em um enunciado, ou como se prefere dizer em uma construção discursiva, passa, em boa parte, pela capacidade das pessoas, que criam e comentam estes enunciados, de compartilhar com a sociedade suas certezas e incertezas.

Com o tempo percebe-se a honestidade ou não destas pessoas. Ou seja, percebe-se se existe omissão, engano, fraude ou falsificação de algum processo. Com o tempo, a sociedade passa a confiar mais em pessoas e instituições que não se observa a ocorrência da desonestidade ou da malícia. Perde-se a confiança quando a pessoa mente, trapaceia e rouba. Também perde-se a confiança em um pessoa quando ela erra demais.

Portanto, quem confere o critério de confiabilidade são todas as pessoas dotadas de bom senso. A base da confiabilidade é a amizade e o imenso respeito que devemos ter para com todas as pessoas.

Poderia-se perguntar o que é bom senso. Esta expressão que não deve ser confundida com senso comum, foi usada por Descartes como sinônimo de razão, na frase que abre o Discurso do Método:
"A faculdade de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso, propriamente chamado de bom senso ou razão é, por natureza, igual em todos os homens, portanto, a disparidade de nossas opiniões não provém do fato de que umas são mais racionais que as outras, mas apenas de conduzirmos nossos pensamentos por caminhos diferentes, sem levar as coisas em consideração. Não basta ter espírito são; o princípio é aplicá-lo bem".
Nessa famosa frase, Descartes reintroduz no mundo moderno o conceito antigo de razão como guia de todo gênero humano.

Hoje em dia, muitos filósofos não admitem mais essa sinonímia: razão passou a designar mais técnicas específicas e, por outro lado, bom senso passou a significar moderação no juízo dos problemas comuns da vida e no comportamento cotidiano, pois o bom senso tem como referência apenas o sistema estabelecido de crenças e de opiniões, só podendo julgar a partir dos valores que este sistema inclui. É muito freqüente que a ciência e a filosofia prescindam do bom senso, ainda que nunca ou quase nunca possam deixar de lado as pequenas ações cotidianas, entre as quais o bom senso estaria em seu elemento.


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