Filosofia da linguagem I: a questão do surgimento da linguagem



Texto baseado nas idéias apresentadas por Josué Cândido da Silva* em um site destinado a apresentar temas de filosofia.


O surgimento da linguagem está ligado a história humana e a organização dos seres humanos em sociedade. As primeiras explicações sobre a origem da linguagem são apresentadas pelas religiões. Na Bíblia, o Gênesis (Gn 11,1-8) conta que Deus para atrapalhar os homens fez com que ninguém mais se entendesse e os homens passassem a falar línguas diferentes. Dessa forma, a diversidade das línguas surge como forma de evitar a centralização do poder.

No século XVIII foi apresentado outras explicações. O filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) apresentou a hipótese de que a linguagem humana passou a existir a partir da necessidade de expressão dos sentimentos. Para Rousseau, os primeiro homens eram bastante silenciosos; a linguagem era apenas usada para pedir socorro ou mostrar ou melhor gritar de dor. Jean Jacques Rousseau, em seu "Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens" afirma que a linguagem teria começado quando as idéias se multiplicaram.

Ao contrário de Rousseau, o filósofo e psicólogo americano George Herbert Mead (1863-1931), afirmava que a linguagem não partiu dos sons emitidos pelo homem, mas dos gestos. A linguagem seria a combinação de certos gestos usados que passaram a ser repetidos para coordenar ações durante as caçadas ou fugas de outros animais. A linguagem seria um gesto que teria o mesmo significado para todos os membros de um grupo. Assim sendo, o gesto teria se tornado em um símbolo significante.

Com o tempo, vários gestos significantes passam a compor um universo de discurso. Nesse estágio, a comunicação se torna mais sofisticada, pois os indivíduos ao adotarem o mesmo significado para o objeto dentro deste universo de discurso podem passar a usá-los sem precisar atender de imediato um objetivo préviamente internalizado.

Logo, a forma como o indivíduo organiza sua experiência é determinada em grande parte pelo universo de discurso ao qual ele pertence. Mas será que a minha linguagem é capaz de organizar todas as experiência? Ou, existe pensamento sem linguagem, ou melhor, que pode ser expresso por qualquer linguagem?

Foto de Noam Chomsky
O lingüista Noam Chomsky


O lingüista e ativista político americano Noam Chomsky (nascido em 1928) revolucionou a lingüística ao introduzir a relação entre o pensamento e a linguagem. Para Chomsky, a criança aprende como a linguagem funciona por volta dos dois anos de idade devido a uma estrutura mental geneticamente determinada, na qual estaria fixado um conjunto de regras gerais para a utilização da linguagem - uma gramática universal - que são universais por necessidade biológica e não por simples acidente histórico, e que decorrem de características mentais da espécie.

Chomsky define o conjunto de princípios e regras que determinam o uso da linguagem como "gramática universal". Trata-se de um sistema de princípios, condições e regras que são elementos ou propriedades de todas as línguas humanas. Esse sistema seria o resultado de um longo processo de evolução biológica, que constituiria a essência da linguagem humana (SILVA, 2008).

Esta gramática universal pertence a um estágio inicial do cérebro subjacente a todas as línguas possíveis.

Evidentemente, isso ainda é muito discutido e não se chegou a uma conclusão definitiva. De fato, o que temos são dois problemas filosóficos: 1. Como surge a linguagem?; 2. Qual a relação entre pensamento e linguagem?

Nota:*Josué Cândido da Silva é professor de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus (BA).

Referência:
SILVA, Josué Cândido da. Filosofia da linguagem (1): Da Torre de Babel a Chomsky. Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult3323u52.jhtm>. Acesso em: 21 mar. 2008.
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