O fim da metafísica ôntica e objetiva

por Luiz Henrique Eiterer
Maio de 2008



O fim da metafísica ôntica e objetiva representa a emergência de uma metafísica ontológica e indireta, sendo esta última forma a única maneira da metafísica
atualmente sobreviver.

Heidegger distingue ôntico de ontológico. Ôntico diz respeito aos entes em sua existência própria. Resumidamente, é aquilo que ele são em si mesmo, sua identidade, sua diferença em face de outros entes, suas relações com outros entes: são as coisas reais, as idealidades ( igualdade, diferença, liberdade, idéias em geral) e os valores(entes que podem ser valorizados positivamente ou negativamente).

Chegou ao fim a filosofia que pretendia se apoderar da essência das coisas, das idealidades e dos valores.

Ontológico se refere ao como pensamos as coisas. Como existem diferentes esferas ou regiões ônticas (coisa diferentes), existirão ontologias regionais que se ocupam com cada uma delas. Ou seja,existem diferentes maneiras de pensar coisas diferentes.

Damos o nome de metafísicos os entes que pertencem a uma realidade diferente daquela a que pertencem as coisas, as idealidades e os valores. A filosofia, portanto, torna-se uma região na qual encontra-se as explicações do modo e da razão de nossos pensamentos. Dizendo de outro modo, o abandono da metafísica ôntica e objetiva se dá na afirmação de que a verdade não é objetivável, ou ainda de outro modo, expressão e revelação são indivisíveis. O que pensamos e dizemos sempre contém a verdade.

Ser assim não compromete em nada a sua transcendência, pois, a pessoa também só pode ser entendida em termos ontológicos, de modo que, suas relações com o ser só podem ser compreendidas indiretamente, através de suas expressões.A pessoa é o que ela diz, pensa e faz. O que uma pessoa pensa não se separa do que ela revela. Pessoal é sempre a interpretação singular que cada um dá a verdade. Pessoal são as crenças. Pessoa não é o mundo interior, mas a rede, a trama, a teia de crenças assumidas. Pessoal é a convivência garantida pela força unitiva de uma mesma verdade que se consegue por meio de conversas e não tem nada haver com subjetivismos ou impessoalismo (não tem nada haver com objetivos,tendências,circunstâncias,destino, influências, constituição, estrutura).

Portanto,a verdade não é objeto de descoberta. A verdade é pessoal. Não sendo objeto, ela é origem de tudo que se pensa e diz. Não se pode colher e revelar a verdade senão formulando-a. Sobre a verdade não existe nada de mistério, ao contrário, ela se apresenta sempre de variadas formas e de modo sempre inconcluso, que a torna impossível de ser possuída de modo único e exclusivo. A verdade apresenta-se de forma singular e definitiva, mas jamais de forma exclusiva e única.

Filosofia são interpretações que falam da relação do filósofo com a verdade. Filosofia diz sobre o filósofo - ou, quem é o filósofo - e a verdade - ou, como ela se mostra. Assumir uma filosofia é tomar para si uma interpretação já formulada pelo senso comum, pelas religiões, pela ciência, ou mesmo, aquelas formuladas pela própria filosofia. Ser filósofo é produzir interpretações. De modo que, dizer que tudo é interpretação não significa negar a existência da verdade e nem a sua transcendência. A negação da existência da verdade e de sua transcendência é característica do pensamento ideológico e não do pensamento filosófico.
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