Leis que só proíbem não podem proibir tudo.


Álcool, maconha, drogas de todos os tipos. Será que temos que controlar o uso de todas pelos motoristas? Será que isso é possível? Será que isso é bom?

Acho que é possível defender que leis que transformam todos em bandidos, bêbados, drogados, preconceituosos e deliqüentes não contribuem para a nossa educação. Mas, devemos pensar por que a maioria de nós é mal-educada? Por que será que somos levados a pensar assim?

Não é possível prender todo mundo que mora na favela. Não dá para considerar todos como sendo bandidos. E tratá-los como bandidos. Os bandidos e infratores devem ser identificados. É claro. Como é a questão? Não é considerando todos como delinqüentes que conseguiremos isso. Precisamos voltar a escutar mais o que os outros dizem. Deve ser ouvido mais as reclamações de particulares e construído menos leis. Eu acho. As leis que temos já nos bastam. Devemos levar em conta o que pensa o cidadão, compreendendo e ensinando-lhe a razão. O que é preciso, não é lei que proíba isso e aquilo, é ouvir o cidadão, fazendo-o compreender e não fazendo descer-lhe goela adentro o que não precisaria engolir. Beber uma taça de chope não pode de jeito nenhum diz uma nova lei agora, mas desrespeitar a faixa de segurança para pedestres e a preferência do pedestre pode. Tomar uns remedinhos que deixa a gente meio lesado pode. Qual é a lógica?

Não é preciso fazer uma lei para dizer que os gays, negros, brancos, vermelhos e amarelos, pobres, ricos, de esquerda ou de direita, religiosos e não religiosos podem participar de qualquer instituição e devem ser tratados como qualquer um. Não estão sendo tratados? Por quê? Vamos ouvir as pessoas. Vamos acolher as reclamações. Vamos apurar, acusar e punir quem desrespeita as pessoas e não construir novas leis para pretensamente proteger as pessoas. Isso não funciona, porque não identifica as pessoas. Isto é, não produz e não reconhece as identidades.

Devemos convencer as pessoas de que precisamos de mais sociedade e menos Estado. Vivemos em uma República. Mas, para isso precisamos querer sair do anonimato. Ser mais honestos com a gente mesmo e assumir posições mais condizentes com aquilo que conseguimos fazer em nosso dia-a-dia. Quando nós e mais e mais pessoas saírem do anonimato e assumirem o que fazem e que podem fazer, mais a sensação de que estamos em meio a pessoas honestas deve aumentar e acho que perderemos aquela sensação de que todos são mal-educados. Por isso, a solução para a educação no Brasil não passa por fabricação de leis, mas na defesa de um ambiente democrático e livre. Devemos tomar cuidado para que ninguém possa monopolizar nada. Pois, só se sentindo livre é que a maioria de nós poderá voltar a ser considerados honestos e responsáveis.
Luiz Henrique Eiterer
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