O economista erra quando fala de Paulo Freire

Diz Antônio Joaquim Severino, em 1982, que é trabalhando a temática da leitura, discutindo sua importância, explicitando a compreensão critica da alfabetização e do papel de uma biblioteca popular, relatando e documentando suas experiências de alfabetização e de educação política que Paulo freire produz sua obra, pensando e repensando sua própria prática, sua vivência pessoal. Isto porque a leitura da palavra é sempre precedida da leitura de mundo. E aprender a ler, escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade.

No texto de Paulo Freire está escrito "a leitura de mundo precede a leitura da palavra". Ler não é simplesmente decodificar, mas se antecipa e se estende na inteligência do mundo. Linguagem e realidade estão ligadas.

Gustavo Ioschpe, ao contrário, diz que aprendeu o contrário na faculdade. Eu acho que ele aprendeu tudo errado. Vejam. Ele diz: "No primeiro semestre da faculdade, li um texto muito bom de Paulo Freire, em que ele dizia que era preciso read the word to read the world (ler a palavra para ler o mundo). Não sei se ele o escreveu em inglês ou se a tradução foi especialmente fortuita, mas o enunciado é verdadeiro: é impossível entender a complexidade do mundo se você não sabe ler. É impossível estudar filosofia se você não sabe ler." (Revista Veja, Errar é humanas, 30/06/2008)

Não segundo Paulo Freire. Freire enfatiza o contrário, temos que aprender a ler o mundo para ler a palavra. Linguagem e realidade andam juntas. A visão e a pedagogia tecnicista parece cegar o economista.

Evidentemente, se o estudante sair do ensino médio sabendo pouco de geografia, história, filosofia e sociologia, sem saber sobre o mundo em que vive, ele não vai conseguir entender muitos textos. Hoje em dia querem novamente separar alfabetização de letramento, reservando um espaço técnico para a alfabetização. Para mim, isso é um retrocesso.
Luiz H. Eiterer
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