Pessoa: dois pontos de vista

Pensar na definição de pessoa é importante ainda.
Qualquer um pode perceber a existência de uma ligação muito forte entre pessoa e verdade.

Acredita-se que há pelo menos duas maneiras de pensar o que é pessoa. Há a idéia de que a pessoa não é o que ela diz e o que faz, mas se refere ao "indizível". A pessoa, deste ponto de vista, é um mistério. Algo inefável e necessário. Ligado a tudo que é verdadeiro.

De um outro ponto de vista, a pessoa é o que ela diz e continua dizendo para quem a vê e a escuta. Não há nenhum mistério. Nosso conhecimento sobre uma pessoa não passa de uma coleção de idéias que observamos nela. Evidentemente, a persistência da ligação entre nós, entre eu e o outro, nada mais é do que uma uniformidade de certas relações que fazemos sobre o que dizemos e sentimos um para o outro.

Desse modo entende-se que a pessoa se apresenta na relação, na conversa, e não somente na idéia formulada sobre a pessoa. A pessoa não é essa idéia. Prender-se a idéia da pessoa é despersonalizar-se. Visto que a formulação que se faz da pessoa pode estar errada, no momento seguinte, quando ela aparece novamente dizendo algo completamente diferente para mim.

Por isso se diz que a pessoa sempre é merecedora de respeito. Isto quer dizer, ela precisa ser continuamente examinada. Esta atitude exige, para que se mantenha o respeito entre as pessoas, a manutenção da conversa, da comunicação, do diálogo, da relação. Tal atitude exige uma abertura, flexibilidade e preocupação em integrar. No processo de personalização não se deve abdicar com facilidade da posição que se toma, e que se identifica, mas deve-se abdicar de estratégias que afastam as pessoas que discordam de sua posição. A personalização exige um contato com o diferente, envolvido em um ambiente de respeito, no qual, no mínimo dois, possam se examinar continuamente. Possam dizer o que pensam sobre o outro. E, onde cada um pode se realizar diante do outro.

O contrário disso, promove aos poucos a desrealização de tudo que cada um pensa e acredita.

Luiz H. Eiterer
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