A solução e ao mesmo tempo o problema é que nada mais é sólido e consistente: tudo é líquido.

Estas reflexões também são iniciais e ainda bem fluídas. Afirmações ainda inconsistentes. Não levem totalmente a sério. Acredito que podemos dizer que hoje podemos fazer muito mais e mudar muito mais, com mais segurança, do que no passado. Estranhamente, nada é facilmente controlável no mundo de hoje. Tudo muda com muita facilidade. Ao mesmo tempo, usamos em nosso dia-a-dia muitos sistemas de controle. Pequenos controles. Extremamente eficientes. Somos todos muito mais independentes em relação aos outros, graças ao desenvolvimento da tecnologia. Mas, extremamente dependentes da tecnologia.

Modernidade líquida (2000) é um livro de Zygmunt Bauman que nos joga num mundo em que tudo é ilusório, onde parece que não há mais nenhum conhecimento, ou melhor, sabemos que não há um "mundo verdadeiro", nada é sólido e consistente, onde a angústia, a dor e a insegurança causadas pela “vida em sociedade” exigem uma análise paciente e contínua da realidade e do modo como os indivíduos são nela “inseridos”. Passamos horas e as vezes dias analisando tudo. No final, voltamos a analisar tudo de novo. Não existe mais planos para longo prazo. E, os exemplos e modelos do passado já não satisfazem mais a ninguém. Qualquer tentativa de aplacar a inconstância e a precariedade dos planos que homens e mulheres fazem para as suas vidas, e assim explicar essa sensação de desorientação, exibindo certezas passadas e textos consagrados, seria tão sem importância, tão inútil, quanto tentar esvaziar o oceano com um balde ou contar os grãos de areia de uma praia.

Numa entrevista que concedeu ao jornalista italiano Benedetto Vecchi, Bauman mostra como a identidade passou a ser uma idéia importante para o entendimento da vida social na era da "modernidade líquida" – termo que ele cunhou para falar do desfiar das tramas que montam as relações na atualidade.

Segundo Bauman, à medida que nos deparamos com as incertezas e as inseguranças da "modernidade líquida", nossas identidades sociais, culturais, profissionais, religiosas e sexuais sofrem um processo de transformação contínua. Isso nos leva a buscar relações transitórias e fugazes e faz com que soframos as angústias inerentes a essa situação.

A confusão atinge os valores, mas também as relações afetivas: "Estar em movimento não é mais uma escolha: agora se tornou um requisito indispensável", afirma Bauman. Somos agora obrigados a mudar, a transformar. A idéia básica é que de alguma forma é preciso aprender novamente a parar. Aprender a voltar a pensar a longo prazo. Permanecer por mais tempo com uma única identidade, sem fazer dessa identidade uma camisa de força. Isso é que parece difícil. De algum modo aprendemos que o movimento contínuo nos livra das camisas de força, mas ao mesmo tempo precisamos aprender a viver dentro de certos limites. Ser livre dentro de certos limites. A decisão dificil de hoje em dia é saber qual o limite que devemos aceitar sem que precisemos novamente voltar a ter medo. Esta idéia de limitação nos dá a idéia de que podemos hoje em dia muito mais do que no passado. Hoje, nosso problema não é o problema da limitação, mas de qual limite devemos novamente aceitar.

O amor hoje em dia é marcado pela vontade de independência e prazer, inibindo a entrega, a aceitação plena, que exige a criação de sistemas de controle que permitam manter a falta e o vazio nas relações.
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