10 % de crianças e adolescentes brasileiros na idade de 5 e 17 anos trabalham 40 horas ou mais por semana

IBGE: trabalho infantil diminui, mas jornada aumenta

Agência Brasil

BRASÍLIA - Cerca de 300 mil crianças deixaram de trabalhar no ano de 2007, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por outro lado, para os meninos e meninas que não conseguiram deixar o trabalho a jornada aumentou em cerca de uma hora.

O estudo mostra que no ano passado 4,8 milhões de brasileiros com idade entre 5 e 17 anos estavam trabalhando, o que representava cerca de 10,8% das crianças e adolescentes de todo o País nessa faixa etária.

Em relação ao número de horas trabalhadas, a maioria (30,5%) tinha uma jornada semanal de 40 horas ou mais. Em 2006, esse taxa era de 28,6%.

Embora o contingente de trabalhadores com idade entre 5 a 13 anos, proibidos por lei de exercer qualquer tipo de jornada, tenha diminuído 0,5 ponto percentual na passagem de ano, esse grupo integra a faixa que mais teve acréscimo de horas trabalhadas.

De acordo com o economista do IBGE Cimar Azeredo, a redução do trabalho infantil e a saída de pessoas dessa situação, de uma forma geral, pode ter evidenciado uma outra parcela de crianças que trabalharam mais do que as demais.

- O grupo que está reduzindo pode ser daquele que trabalha menos, está fazendo um bico, passando férias e que é mais fácil de ser resgatado, podendo não estar comprometido com o sustento da família, com o mercado- disse Azeredo.

A PNAD também mostra que, quanto mais nova a criança, maior a chance de estar em atividades agrícolas. Na faixa etária de 5 a 13 anos, 60,7% estão no setor, considerado o mais pesado devido ao manuseio de ferramentas de corte e aos riscos de contato com animais peçonhentos, além do problema da falta de fiscalização.

- Um sítio onde o pai coloca o filho para trabalhar no interior é muito mais difícil de ser flagrado pela fiscalização do trabalho, que uma mercearia onde acontece a mesma coisa na cidade- pontuou Azeredo.

O economista explica que, além das razões culturais que levam os pais a permitir que os filhos trabalhem, na expectativa de que as crianças aprendam um ofício, há a necessidade de complementar a renda familiar.

Nas casas onde há crianças que trabalham, contando com a sua participação, o valor da renda mensal per capita era de R$ 318 em 2007, enquanto a média do rendimento nos demais lares do País foi estimada em R$ 653 per capita.

[11:48] - 18/09/2008
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