As consequências da precarização do trabalho do professor

A precarização do trabalho do professor e, consequentemente, a desvalorização de seu papel em nossa sociedade, consiste em pagamento de salários muito baixos, obrigar o professor a lecionar em salas de aulas superlotadas, com mais de 30 alunos, em espaço não apropriado e pequeno, contratação temporária e sem todos os direitos trabalhistas garantidos, política de manutenção da instabilidade e do medo de ficar desempregado sem justa causa, falta de um plano de cargos e salários, falta de apoio e políticas de pesquisa que atendam os professores das diversas áreas. Esta situação é inegável nas instituições públicas e privadas brasileiras, em alguma medida, atingindo tanto a educação básica quanto o ensino superior. Embora, o sofrimento dos professores da educação básica das instituições públicas é ainda maior, em todo Brasil, pois, são muitos que vivem uma situação humilhante. Veja o relato de um professor da Paraíba feito em seu Blog. O que o professor da Paraíba relatou acontece aqui em Minas Gerais, e eu poderia colecionar várias notícias de que o mesmo acontece em todos os estados brasileiros, variando apenas um ou outro aspecto do problema. Constatando, que, infelizmente, uma contante em nossa sociedade é a desvalorização do trabalho docente. Neto (2009), um simples professor, lembra que o respeito por todos, mas, especialmente aos educadores deve ser uma luta de todos nós. Mas, conclui dizendo que a situação de seu estado é preocupante. Uma preocupação que deve ser de todos nós.

O salário do professor deveria garantir a dedicação exclusiva em uma única escola, construindo assim uma relação mais ampla com a comunidade e um envolvimento constante com as atividades de planejamento e formação continuada. Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia (1996), dizia que ensinar exige luta em favor dos direitos dos educadores. “Se há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais tenra idade, é que a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever irrecusável e não só um direito deles. A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte.” (Freire, 1996:66) Na Paraíba o quadro é preocupante.

Devemos ser solidários com este professor, com os professores da Paraíba, pois estaremos sendo solidários com a luta dos professores de todos os estados brasileiros. Nossa solidariedade, só a nossa solidariedade, impedirá que estes profissionais
permaneçam "num dilema sem saída: ou se acomodam ao silêncio de uma mediocridade que se limita à ocupação de cargos burocráticos e deixam de produzir, ou optam por [ trabalhar em dois ou três empregos, além de ] pesquisar, elaborar projetos e, pois, assumir uma sobrecarga nada vantajosa da perspectiva individual e humana." (GADINI, 2006). Pois, entendo que todos os professores precisam ter tempo e recursos para pesquisar, estudar, ler, escrever e ensinar.

Obviamente, sem tempo e recursos, quem perde com esta situação humilhante do professor são as instituições e a sociedade que terão cada vez mais uma educação sem qualidade e professores desanimados, individualistas e egoístas que passam a pensar e a contribuir com a acentuação da mercantilização do ensino e contribuir com a simultânea precarização do trabalho docente, de seu trabalho e de seus colegas, num circulo vicioso, extremamente preocupante. Pois, só um cego não consegue ver que a precarização do trabalho docente reflete diretamente e de modo negativo na qualidade de vida de professores e alunos e na riqueza do currículo escolar (SAMPAIO; MARIN, 2004), perpetuando a miséria.
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