Funcionário da prefeitura de Juiz de Fora este ano ficará mais pobre

PJF afirma que não dará aumento salarial

Ricardo Miranda*
repórter
Fonte:Tribuna de Minas
Os servidores públicos municipais podem enfrentar - e terminar - o ano sem qualquer reajuste salarial.


Em reunião com representantes do funcionalismo público municipal, na manhã de ontem, o secretário de Administração e Recursos Humanos, Vitor Valverde, informou que a administração Custódio Mattos (PSDB) não tem condições de conceder nem mesmo a correção inflacionária pelo IPCA, de cerca de 6%. "É com frustração que dou essa notícia. Contudo, neste momento, não seria responsável dar qualquer reajuste, já que encontramos a Prefeitura com diversas dívidas vencidas, que chegam a cerca de R$ 40 milhões." O secretário prontificou-se a analisar os demais pontos das pautas de reivindicações e garantiu o pagamento em dia dos salários e do 13º. Os diretores dos sindicatos dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro/JF), dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu), dos Médicos e dos Engenheiros (Senge) reagiram de pronto ao anúncio e não descartaram deflagrar movimento de greve. "Falar em reajuste zero é o mesmo que chamar para a greve", avaliou o coordenador geral do Sinpro, Flávio Bitarello.

Uma nova rodada de discussões foi agenda para o próximo de 23. Na ocasião, a secretária da Fazenda, Maria Helena Leal, vai apresentar aos sindicalistas a situação detalhada das contas da Prefeitura. De acordo com Vitor Valverde, não vai ser apresentada contraproposta. "É preciso ficar bem claro que não estamos blefando. Tudo vem sendo feito de forma transparente e com lealdade." Já Bitarello espera que, na próxima reunião, a equipe da administração sinalize, pelo menos, com o IPCA. "Vamos para a reunião acreditando que teremos o IPCA, previsto no orçamento, e, a partir daí, vamos analisar outros pontos." Em termos de reajuste, o Sinpro reivindica um índice de 19,2%, que equivale ao percentual usado pelo Governo federal para corrigir os valores do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Gilson Salomão, do Sindicato dos Médicos, também sustenta que não é possível falar em "negociação" sem reajuste. "Vamos reunir a diretoria do sindicato para avaliar o quadro, mas o que estão propondo não tem como considerar." A categoria quer equiparação salarial com os demais profissionais de nível superior que atuam na Prefeitura.

Primeiro a reagir à ausência de reajuste, o Sinserpu convocou, ainda na tarde de ontem, uma assembléia geral com paralisação da categoria para o próximo dia 24, quando será avaliada a situação. "Com certeza, podemos sair de lá com indicativo de greve", avisa o presidente do sindicato, Cosme Nogueira. Para ele, a proposta da Prefeitura é irreal e não será admitida em hipótese alguma. "Temos muitos funcionários ganhando menos que um salário mínimo. "Acho que, para esses, a crise começou há muito tempo." Os servidores pretendem aproveitar o movimento contrário à locação de caminhões pelo Demlurb, que vai promover um ato na manhã de hoje na sede da autarquia, para iniciar a mobilização pela campanha salarial. A cláusula do reajuste presente na pauta de reivindicações do Sinserpu estabelece reestruturação dos salários, com incorporação de R$ 150 nos vencimentos em todos os níveis, além de 12%, que incidiriam sobre a tabela corrigida.

Reação da oposição na Câmara foi imediata
A recusa da Prefeitura em conceder o aumento repercutiu mal na Câmara. A notícia da malograda negociação foi dada pelo vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT), coordenador-geral do Sindicato dos Professores (Sinpro). "Existe uma lei municipal, aprovada por esta Casa, que determina que, no mínimo, tem que ser dado o percentual correspondente ao IPCA do período", contestou. "Qual foi o retorno da PJF? Zero. Essa resposta mostra que há uma política de desvalorização do serviço público." O vereador Flávio Cheker (PT) concordou. "Por mais precária que esteja a situação das finanças do município, não é possível uma rodada de negociações começar do zero."

O líder do Governo na Casa, vereador Isauro Calais (PMN), declarou que os servidores "merecem muito mais do que o IPCA", mas alegou que a PJF está em "situação de calamidade pública". "Se a Prefeitura desse o reajuste, que fosse o IPCA, chegaria a dezembro com R$ 44 milhões de dívidas, mais do que encontrou no início do ano. Isso inviabilizaria também 2010", justificou. A explicação não suavizou as críticas. "A mobilização dos trabalhadores chegará a esta Casa e os senhores vereadores terão que se posicionar", enfatizou Betão.

*colaborou Táscia Souza

Blog do Omar Peres faz comentários sobre esta decisão da prefeitura de Juiz de Fora, apontando prováveis mentiras e estratégias do prefeito. Todos devem conferir e ficar atentos.


Vereadores do PT se unem ao funcionalismo contra reajuste zero
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