Do manual, do livro didático: pelo manual? pelo livro didático? Outro manual? Outro livro didatico? Contra o manual? Contra o livro didático?

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O manual e o livro didático coloca o saber ao alcance da mão e de um modo mais fácil, por isso mesmo, congelando-o nas ideias diminuídas, contraídas, homogeneizadas e instituídas, o destrói.
O manual e o livro didático diminui os conflitos, diminui o trabalho, diminui a inquietação criadora que nos leva a pensar. O manual e o livro didático nega o saber que ele pretende servir, pois, nega ao seu consumidor produzi-lo e só lhe permiti recebê-lo pronto.
O manual e o livro didático é um instrumento pensado para facilitar o trabalho de professores e alunos, mas é também um instrumento pensado para dirigir o pensamento deles.1
O manual e o livro didático trata-se uma concepção pedagógica que vê o aluno como um recipiente vazio que deve ser preenchido por alguém e vê o professor apenas como um técnico capaz de intermediar o saber produzido pelo autor do manual ou do livro didático.2 O professor, portanto, é visto apenas como um repetidor que não interroga o saber que está transmitindo. O professor é apenas nesta concepção o executor que não se interroga sobre aquilo que executa.
Os manuais e os livros didáticos, portanto, são instrumentos de embrutecimento. De forma vil, maldosa, eles servem aos programas oficiais, às instituições apenas. Os professores e alunos os acompanhem se puderem. Os manuais e o livro didático preparam todos para a submissão aos programas e às disciplinas que dominam o sistema escolar.
O manual e o livro didático faz a gente esquecer que mais importante que a disciplina necessária ao bom aprendizado são os ingredientes não disciplinares que motivam-nos a reconhecer a necessidade da disciplina.
O manual e o livro didático, mesmo os bons, não devem ser usados ou usados o minimo possível, pois, eles quando muito usados desde a infância tem o poder de sacralizar os livros e torná-los um mundo a parte, inacessível e que temos dificuldade em questionar. Deveríamos ser acostumados a nos familiarizarmos com os livros e nos familiarizarmos a ver os erros e as suas contradições como fazemos com as pessoas com as quais nós conversamos.
Os manuais e os livros didáticos são verdadeiros assassinos do senso crítico. Graças a eles é que muitas pessoas só sabem ler acreditando, palavra por palavra, em tudo em que está escrito. Por isto é que existe a tal briga para publicação de manuais, porque são dirigidos e produzidos no fundo por autoritários simpáticos que reduzem em objetos e em consumidores as pessoas que deveriam ser sujeitos de seu conhecimento.
A solução mais óbvia a este problema é não existir financiamento para produção de livros didáticos e manuais. E, também não creio que adianta pensarmos em antimanuais ou plurimanuais que se explodem e projetam o transporte do leitor para fora deles. É preciso aproximar os professores e os estudantes dos livros e das pesquisas financiando cada vez mais bibliotecas, melhorando salários, possibilitando e facilitando o acesso de professores e alunos às opiniões, teorias e pesquisas produzidas. A solução é melhorar principalmente a condição de trabalho do professor, dando-lhe mais tempo remunerado fora das salas de aula para estudar, pesquisar e trazer para dentro dos espaços educativos as novidades dos livros, das palestras, dos encontros e das conversas que tem acesso.

Nota
1 A primeira lei do livro didático no Brasil foi criada em 1938, o decreto-lei 1006, no regime ditatorial do Estado Novo, tornando o Estado censor do uso desse material didático, pois, desde este período o livro didático era considerado uma ferramenta de educação política e ideológica. O grande instrumento nas escolas de controle do currículo. A materialização desta preocupação são as listas produzidas pelo Ministério da Educação. Confira artigo da Revista Iberoamericana de Educación. Download Visualizar

2 Uma educação bancária. Livro didático é mercadoria, por isso não possui autor. Como diz Roger Chartier em "A história cultural: entre práticas e representações" (1990): "Façam o que fizerem, os autores não escrevem livros, os livros não são de modo algum escritos. São manufaturados por escribas e outros artesãos, por mecânicos, outros engenheiros e por impressores e outras máquinas". Quando suas edições não são cortadas, revisadas e transformadas por editores. Cada vez mais, a partir do desenvolvimento da internet e da modalidade da educação a distância, outras mercadorias são produzidas como vídeos didáticos, vídeos aulas, materiais didáticos, objetos educacionais que devem alimentar as plataformas denominadas espaços de aprendizagem virtual. São estas produções que fazem com que percebemos mais o sentido de fábrica, de industrialização da educação. Visualizar História de um livro didático



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