Trabalho nem sempre dignifica o homem

O sofrimento pode nos tornar tristes e amargos e até emocionalmente estéreis. Da mesma forma, o trabalho pode destruir aos poucos a nossa dignidade, pode nos rebaixar, pode nos inferiorizar, pode nos tornar simplesmente coisas e objetos de exploração apenas. Percebemos com mais clareza esse sentimento quando nos sentimos culpados por não estarmos em atividade, quando nos percebemos fora da cultura do não ter tempo para nada, fora da busca da competência pela competência, do poder pelo poder. Percebemos assim que o trabalho rouba nosso tempo, nossa saúde, nossa dignidade e nossa decência.
O que nos torna mais dignos e alegres é poder ter nosso tempo, poder cuidar de nossa saúde, ser respeitado, poder ter uma vida decente.
O que nos torna mais nobres não é o trabalho em si, é a responsabilidade, a possibilidade de participação na busca pelas soluções dos problemas que as obrigações exigem e trazem para nós.
O trabalho que fazemos nos dignifica quando nos permite, quando não estamos mais no trabalho, que sintamos bem sem fazer nada, sem querer fazer nada, sem precisar vagar, correr, beber, comer, rir, medir meu tempo de alegria e comprar sem necessidade. E, quando tenho esses momentos apenas vivo-os sem nenhuma preocupação. Isso é ter uma vida digna.
Sem isso, construímos pontinho por pontinho o circulo vicioso de nossa infelicidade e alienação. Sem isso, não somos livres, mas presos à ultrageneralizações falsas que apenas quer nos convencer o tempo todo que sofrer, não ter tempo, não precisar pensar, sentir e decidir é bom e é assim mesmo que a vida é.
Essas reflexões são baseadas em um texto que Lya Luft escreveu no dia 20 de janeiro de 2010 e foi publicado na revista Veja. Confira! Clique na imagem.
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