O legalismo do movimento evangélico não ajuda o cristão amar a vida, mas amar a morte

Ricardo Godim em um artigo publicado no site LupaProtestante exorta os evangélicos a lerem mais Paulo Freire na esperança de que possam desejar mais a liberdade do que a ordem e a lei. Nesta mensagem há o entendimento de que quem valoriza mais a ordem e a lei dão muito mais importância em controlar o mal do que em defender a liberdade.

Para ele o "O legalismo, que infelizmente ainda predomina no movimento evangélico, não gera cristãos com os anseios da liberdade que Paulo, o apóstolo, ensinou: 'Foi para a liberdade que Cristo lhes libertou'. Freire afirma que uma liberdade desse tipo 'requer que o indivíduo seja ativo e responsável, não um escravo nem uma peça bem alimentada da máquina. Não basta que os homens não sejam escravos; se as condições sociais [ou religiosas] fomentam a existência de autômatos, o resultado não é o amor à vida, mas o amor à morte' (FREIRE, Pedagogia do Oprimido, p.62). Portanto, 'somente com a supressão da situação opressora é possível restaurar o amor que nela estava proibido'.

Ricardo Godim continua citando Paulo Freire. "Se não amo o mundo, não amo a vida, se não amo os homens, não me é possível o diálogo.
Não há, por outro lado, diálogo, se não há humildade. A pronúncia do mundo, com que os homens o recriam permanentemente, não pode ser um ato arrogante. O diálogo, como encontro dos homens para a tarefa comum de saber agir, se rompe, se seus pólos (ou um deles) perdem a humildade.Como posso dialogar, se alieno a ignorância, isto é, se a vejo sempre no outro, nunca em mim? Como posso dialogar, se me admito como um homem diferente, virtuoso por herança, diante dos outros, meros 'isto', em quem não reconheço outros eu? Como posso dialogar, se me sinto participante de um gueto de homens puros, donos da verdade e do saber, para quem todos os que estão fora são 'essa gente', ou são 'nativos inferiores'? Como posso dialogar, se parto de que a pronúncia do mundo é tarefa dos homens seletos e que a presença das massas na história é sinal de sua deterioração que devo evitar? Como posso dialogar, se me fecho à contribuição dos outros, que jamais reconheço, e até me sinto ofendido com ela? Como posso dialogar se temo a superação e se, só em pensar nela, sofro e definho?
A auto suficiência é incompatível com o diálogo. Os homens que não têm humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não podem ser seus companheiros de pronúncia do mundo. Se alguém não é capaz de sentir-se e saber-se tão homem quanto os outros, é que lhe falta ainda muito que caminhar, para chegar ao lugar de encontro com eles. Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão, buscam saber mais" (FREIRE, Pedagogia do Oprimido,p.93).

Tomara que o entendimento desta mensagem de valorização da autonomia e da liberdade seja cada vez mais possível e ajude a ampliar o movimento de supressão de todo tipo de violência e opressão no mundo. Tomara que espalhar esta mensagem se torne uma missão. Se torne uma fé.





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