Uma falácia difícil de ser compreendida

Existem pessoas que defendem o aborto como método contraceptivo, numa época que existe vários outros métodos a disposição da grande maioria das pessoas. Tem pessoas também que vivem uma situação que até mesmo informaçoes e o acesso aos métodos contraceptivos existentes são dificeis de chegarem até elas.  A prova de que existe tal pensamento e tal dificuldade é que muitos abortos são realizados em clinícas cladestinas existentes em praticamente todo lugar ou que abortos são realizados usando medicamentos abortivos com ou sem prescrição médica. Qualquer pessoa minimamente informada já ouviu ou leu alguma notícia sobre isso. A situação de aborto é real e presente na vida de muitas pessoas.

[Terezinha, 63 anos, aposentada] tinha 19 anos e trabalhava em casa de família. Lá eu conheci meu primeiro namorado e engravidei. Ele não quis saber da criança. Eu sabia que a dona da casa onde eu trabalhava iria me demitir e que a minha mãe não iria deixar eu voltar para casa grávida. Desde o começo, eu sabia que não dava para ter um filho assim. Pedi ajuda, então, para a dona da casa onde eu trabalhava. Ela me levou a um médico, que me receitou um abortivo. Disse que era para eu tomar e ficar trancada no quarto sem sair porque podia doer. Assim que eu cheguei em casa eu tomei. Tive uma cólica forte. Eu nunca me arrependi, porque não iria poder criar aquele filho, que seria mais uma criança triste no mundo." Fonte: IHU

A situação da Teresinha, que é a situação de muitas mulheres, mostra que a decisáo de abortar está muitas vezes condicionado a um sentimento de falta de condição econômica e de acolhimento por parte do patrão, do companheiro e da família do seu estado de gravidêz. A mulher nestes casos precisaria de amparo, proteção e garantias de que terá condições de cuidar de seu filho para que seja evitado situações de aborto e seja possível favorecer a vida. Para isso, precisamos de uma legislação que descriminalize o aborto e leve essas mulheres a uma rede de políticas sociais que tomem providências para o favorecimento da vida e que o aborto possa ser evitado.

Portanto, é um erro difícil de ser compreendido aquele pensamento que acredita que não é possível ser contra o aborto e ao mesmo tempo a favor da descriminalização do aborto. A situação acima mostra que é possível. A situação descrita acima mostra que a descriminalização do aborto exigiria da sociedade criar uma legislação que mandaria o estado, as empresas e as famílias tomarem providências para evitarem as situações de aborto. A descriminalização do aborto exigiria da sociedade criar uma legislação que desse mais garantias e proteção ou fizessem cumprir as legislações existentes que garantem uma condição de vida digna às mulheres e às crianças. Ao contrário, ser contra a descriminalização do aborto é ser contra a melhoria de vida de milhares de mulheres e crianças que vivem em situação que favorecem o aborto.


Luiz Henrique Eiterer
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Projeto de pesquisa: o que é hipótese e marco teórico

Projeto de pesquisa: construindo o marco teórico

História do Direito: O direito grego antigo.