O trabalhador docente está cada vez mais doente

Precisamos mudar nosso discurso. Em vez de defender simplesmente uma educação estatal, devemos exigir que o Estado crie ou regule mecanismos de defesa do trabalhador docente, que se mostra cada vez mais vulnerável diante das propostas de flexibilização de trabalho e tentativas de regulação pelo mercado, mesmo no interior de escolas públicas.

O discurso da formação continuada como fórmula para melhoria das condições de trabalho tem se mostrado um engodo, pois este discurso vem servindo só para estimular a competição e as exigências de produtividade, comandadas por dirigente propagandistas deste sistema, acelerando o tempo da jornada de trabalho, incorporando sempre mais e mais atividades, tornando-a assim desumana e insalubre. Portanto, não contribuindo para a melhoria das condições de vida e do ambiente de trabalho. Este discurso não vem levando em conta o custo humano: o sofrimento, a angústia, a incerteza que a conciliação de todas essas exigências provocam.

Baixos salários, excesso de trabalho, diminuição do tempo livre e do lazer, perda da autonomia, medo do desemprego, desqualificação frequente e impossibilidade de participar de cursos de qualificação, aceleração do ritmo de trabalho, mercantilização de todos os aspectos da vida, desgaste da saúde física e mental carregados de sintomas como angústia, irritação, nervosismo, cansaço e incapacidade de ter uma boa relação afetiva e social, completa o quadro precarizado, desvalorizado, indigno, indecente, socialmente inaceitável do trabalho docente.

Estes trabalhadores se encontram completamente desprotegidos. Proteger estes trabalhadores requer além de aumentar seus salários, desconstruir o discurso de produtividade e o discurso de qualidade como eficiência e eficácia que atende prioritariamente as exigências de mercantilização das atividades e dos produtos educacionais. Sem profissionalizar novamente o cotidiano do trabalho docente, marcado hoje em dia pela improvisação e doação, tornando-o mais saudável, respeitador e respeitável, portanto, mais humano, não é possível advogar que a profissionalização da formação continuada, o aumento do salário e nem a estabilidade do emprego proporcionada pela escola pública possam sozinhos beneficiar a maioria dos trabalhadores.

Leia mais sobre precarização do trabalho docente.

Clique aqui para entender o que é pedagogia da hegemonia como uma educação para o consenso em torno de ideias, ideais e práticas adequadas aos interesses privados do grande capital nacional e internacional, cuja principal característica é assegurar que o exercício da dominação de classe seja viabilizado por meio de processos educativos positivos. Baseado nos conceitos de Gramsci, processos educativos positivos são aqueles em que a educação é feita por meio dos exemplos, das atitudes das outras pessoas ou pela ação da mídia. Exemplo de discurso da pedagogia da hegemonia que se parece e se confunde com um discurso progressista, mas que advoga a formação continuada como superação da precarização do trabalho docente pode ser lido aqui. Na verdade este discurso representa a defesa de setores da esquerda de inserção de indivíduos na vida capitalista e setores da direita preocupados com uma ação social que diminua os conflitos e situações que poderiam ser desinteressantes para as empresas nacionais e multinacionais.



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