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Mostrando postagens de Maio, 2011

Crítica da modernidade segundo Gabriel Marcel ou como o homem pode descobrir o seu próprio mistério

Gabriel Marcel dirá que o homem conhece seu próprio mistério pela participação, pois, o ser não é algo abstrato, uma ideia simplesmente, mas o mais cheio de vida que existe, de modo que aproximar-se dele se dá de maneira concreta, isto é, na participação de experiências muito complexas como por exemplo, o amor, a amizade, a conversa sincera e aberta, a fidelidade, a esperança, entre outras.

Um mundo onde o homem foi reduzido a um conjunto de funções: trabalhador, estudante, consumidor, produtor, ele, este homem infeliz, foi transformado somente em mais um funcionário.

Esta situação do homem é degradante, pois ele aparece a si mesmo e aos outros como um feixe de funções: funções vitais (comer, dormir, ...) psicológicas (ver, ouvir, sentir,medo, raiva,...) e sociais (consumidor, empregado, ...). Este homem considerado um obreiro ou um empregado não está sendo transformado em uma máquina que funciona, que é comprovada pelo médico, reformada de vez enquando pela clínica, dado baixa na mor…

A relação entre modernidade ocidental e capitalismo

Na mensagem intitulada "A colonização do poder disciplinar pelo poder institucional no fim da modernidade" constatamos que modernidade ocidental e capitalismo são dois processos históricos não lineares bem diferentes, ou seja, cada um desses processos se desdobraram de maneira própria, embora mantivessem uma relação.

O paradigma que chamamos de modernidade surgiu entre o séc. XVI e o século XVIII, antes mesmo que o capitalismo industrial dominasse o cenário da europa ocidental. Foi somente a partir do final do século XVIII é que modernidade e capitalismo se convergiram e trespassaram-se. Apesar desta convergência os dois processos continuaram sendo diferentes e autônomos. Como se vê, a modernidade surgiu antes do capitalismo e não o pressupunha. Na perpectiva da modernidade o capitalismo muitas vezes se desenvolveu sob bases pré-modernas e mesmo antimodernas.

Provavelmente o paradigma da modernidade ocidental, concebido antes do desenvolvimento do modo de produção da vida ca…

A colonização do poder disciplinar pelo poder institucional no fim da modernidade

O paradigma da modernidade ocidental entra em colapso a partir do momento que todo esforço de emancipação deve se transformar em regulação cada vez maior, aumentando assim o poder das instituições e o poder estatal. 1

"A partir dos séculos XVI e XVII, a modernidade ocidental emergiu como um ambicioso e revolucionário paradigma sócio-cultural assente numa tensão dinâmica entre regulação social e emancipação social. A partir de meados do século XIX, com a consolidação da convergência entre o paradigma da modernidade e o capitalismo, a tensão entre regulação e emancipação entrou num longo processo histórico de degradação caracterizado pela gradual e crescente transformação das energias emancipatórias em energias regulatórias."2

O paradigma da modernidade está no fim e um novo paradigma está sendo gestado. Não está sendo gestado por estratégias emacipatórias no interior do paradigma dominante. Isto se tornou impossível.


Notas:

[1] Constata-se cada vez mais o poder da burocracia o…

Vantagem das irresponsabilidades: loucuras percebidas

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Existe uma fala bastante conservadora que parece ser certa, todo otimismo sempre nos conduz a irresponsabilidades.

Entretanto, uma fala menos conservadora também parece ser certa, ela diz que só as irresponsabilidades é que são capazes de apontar e deixar transparecer o excesso de otimismo.

De modo que, sendo possível aparar o excesso transparecido, continuamos a caminhar de modo responsável, sem jamais ter pensado em parar com os nossos propósitos.

Sendo assim, cogitando ser isso sempre possível1, admitir as irresponsabilidades é uma vantagem2, pois, considerando-as, não alimentamos nenhum tipo de pessimismo, desde que elas, estas loucuras possam ser percebidas como tal3.

(Luiz Henrique Eiterer em resposta a provocação do livro de Roger Scruton, As vantagens do pessimismo.)
Nota:
[1] Isto, aparar o excesso transparecido e continuando a caminhar de modo responsável, sem jamais ter pensado em parar com os nossos propósitos, só é possível quando as soluções não podem ser buscadas fora da…