O Nada é fértil

O Nada tem vários nomes. Todos os nomes do Nada fazem-nos lembrar novamente de uma realidade cheia de muita riqueza, fertilidade e poder. Não existe quem um dia não se voltou de algum modo para o Nada, lhe dando um nome. Esta é uma experiência muito frequente. A necessidade, a paixão pelo Nada transformado em nomes não deixa de ser uma fuga a pobreza e aos problemas irremediáveis de nosso dia-a-dia; este é outro modo de dizer que o Nada transformado em nome é o horizonte de busca de luz e refrigério diante da consciência da finitude de cada um de nós; visualização de um horizonte de sentido cujo fundamento é o Nada. Do Nada então voltamos a admirar a beleza, voltamos a nos encantar pela riqueza e pelo poder que encontra-se neste mundo. Do nada esquecemos a pobreza, a feiura, a esterilidade, o desencanto e toda fraqueza que encontramos no mundo. Tudo acontece do nada. Do Nada acontece um milagre. Do Nada esquecemos os nossos preconceitos. Do Nada ganhamos força para continuar vivendo. Do Nada já nos misturamos novamente com o mundo. Pedindo, então, mais uma vez perdão. Um perdão por acreditarmos que fora do Nada há sempre riqueza, fertilidade e poder.
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