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Viva o senso comum: o lugar da vida onde toda interpretação é expressão da verdade e abarca o universal

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Por Luiz Henrique Eiterer - Juiz de Fora - Outono de 2009 Este pequeno ensaio tem como objetivo definir o que é senso comum e mostrar sua relação com a verdade, verdade não entendida como adequação, mas como interpretação. O que motivou escrever este ensaio é a ideia dominante que prescreve de um modo errado que quem detém a técnica, o saber escolar ou acadêmico, a ciência é melhor, mais sábio e está mais preparado para a vida. Poucos entendem que toda interpretação é expressão da verdade e, ao mesmo tempo, abarca o universal. E dizem: como assim? Penso na expressão do homem comum, na sua religiosidade, em uma literatura popular, em poesias como de Patativa do Assaré 1 . Não compreendem que o senso comum, mesmo não sendo uma propriedade estável de saberes na qual nem todos participam de um modo integrado e tranquilo e mesmo não sendo uma reserva de ideias e normas claras que podem facilmente ser usadas de um modo uniforme, é um lugar que aponta para um centro único e seguro, que ...

Pier Paolo Pasolini, Teorema, 1968 e o problema da razão.

Qualquer um pode buscar a verdade. Não há como se opor a isso. Qualquer um tem o direito de proferir um argumento lógico. O que nos leva, então, a querer às vezes se afastar de determinadas pessoas? Isto não parece ser lógico. A preocupação com a reputação das pessoas definitivamente não tem nada haver com a busca pela verdade. Esta preocupação com a reputação está ligado com algo que nem a direita nem a esquerda compreendem bem - por isso, não compreenderam Pasolini em 1968. Assim podemos interpretar o filme Teorema: esta preocupação com a reputação representa a irreversível perda de identidade da classe média, um processo de despersonalização, quando se inicia uma consciência que só pode revelar dramaticamente o "vácuo", a impotência, a sua "não-existência" que constituem a sua própria essência. Uma perda de identidade, aliás, que não oferece nenhuma razão para resgatá-la, mas que só cria em torno dela um "deserto", um nada. Esse é o seu destino. Por ...