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O prolongamento religioso da ética

A consciência jamais é inocente, mas, mais do que isto, conhecer é ter iniciativa e ser livre. Conhecer é fazer, interpretar e dar sentido. Por isso, precisamos do outro, porque é o outro o portador de sentido. Compreender o outro é assumir a minha responsabilidade ao seu respeito e para comigo mesmo, isto quer dizer, que posso reafirmar que tenho liberdade de interpretá-lo. Essa é a experiência da ética. Nega-se a vacuidade da consciência, mas a relação com o outro permanece o essencial do conhecimento, muito antes do discurso sobre o ser e para além deste. Para além do saber. É aí que vislumbramos um prologamento religioso da ética. Luiz H. Eiterer

Pessoa conversa com Pessoa

Pessoas não conversam somente com os amigos, mas com pessoas. Comprometer-se com a pessoa é comprometer-se com a verdade. É certo dizer que o que diz uma pessoa é a própria pessoa. Mas, não é certo dizer que a pessoa é apenas um dito daquela pessoa, sem considerar os seus outros dizeres e suas reelaborações. E não é certo não permitir que ela o faça. Por isso, a pessoa é aquilo que ela diz, diz de novo, aquilo que ela reelabora e aquilo que ela diz de diferente daquilo que disse primeiro. Porque comprometer-se com a pessoa é comprometer-se com uma relação verdadeira e não simplesmente com que ela disse primeiro. Quando nada é dito, não podemos dizer que estamos diante da pessoa. Antes, estamos diante da idéia que formamos da pessoa até aquele momento. A estratégia de provocar o outro é legítima, desde que seja para trazer o outro para a conversa, convidando-o a reelaborar as suas idéias. Isso não é fácil fazer. Tratar o outro como inimigo, adversário, criminoso ou qualquer coisa que o ...