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O prolongamento religioso da ética

A consciência jamais é inocente, mas, mais do que isto, conhecer é ter iniciativa e ser livre. Conhecer é fazer, interpretar e dar sentido. Por isso, precisamos do outro, porque é o outro o portador de sentido. Compreender o outro é assumir a minha responsabilidade ao seu respeito e para comigo mesmo, isto quer dizer, que posso reafirmar que tenho liberdade de interpretá-lo. Essa é a experiência da ética. Nega-se a vacuidade da consciência, mas a relação com o outro permanece o essencial do conhecimento, muito antes do discurso sobre o ser e para além deste. Para além do saber. É aí que vislumbramos um prologamento religioso da ética. Luiz H. Eiterer

Notas sobre a malevolência

Não pensem que não consultei o dicionário para saber o que significa malevolência. Mas, o que quero é entender por que alguem se passa por aquele que tem má índole ou visto como mau. Acho que é uma questão de marcação de posição. Geralmente, quando queremos ser claros e marcar de um modo bem firme uma posição somos vistos como um ser hostil. O hostil nem sempre tem maus propósitos. Ao contrário, o hostil separa, afasta, mantém um distanciamento. Que pode ser bom. Mas, o hostil geralmente é visto como o malevolente, e geralmente associado ao mal. Mas, a malevolência não é exatamente o mal. Para se tornar senhor da malevolência é preciso querer conhecer e não simplesmente querer o mal. Precisa querer saber o que é melhor. O malévolo não quer compreender, repito, quer saber o que é melhor - primeiro para ele é claro. Mas, se é bom para ele, pode ser bom para todos. Não é verdade. A benevolência é cara àqueles que não acreditam no pior. O malévolo tem claro para ele que as coisas podem s...