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A Ilusão do Algoritmo Saudável: Canguilhem, a IA e os Limites da Normalização Técnica

A Ilusão do Algoritmo Saudável: Canguilhem, a IA e os Limites da Normalização Técnica Um ensaio crítico sobre a interseção entre a filosofia da medicina de Georges Canguilhem, o funcionalismo de Daniel Dennett, a ontologia da tecnologia de Gilbert Simondon e o capitalismo de vigilância, questionando as propostas tecno-otimistas de regulação da IA. O que acontece quando um algoritmo decide se você está doente ou apenas "fora da curva"? Em um mundo governado por métricas e otimização contínua, tornou-se habitual encarar o corpo humano e as relações sociais como sistemas computacionais a serem corrigidos. ...

O Estranhamento do Cotidiano: O que Antropologia e Filosofia da Mente têm a nos ensinar sobre nossas ilusões

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O Estranhamento do Cotidiano: O que Antropologia e Filosofia da Mente Têm a Nos Ensinar Sobre Nossas Ilusões Quando o antropólogo Horace Miner publicou "O Ritual do Corpo entre os Nacirema" , em 1956, o impacto foi imediato. Ao descrever um povo com "rituais mágicos obcecados pela feiura do corpo", que visitava "homens-da-boca-sagrada" e praticava sacrifícios diários no "santuário doméstico", o leitor ocidental se assustava com tamanha estranheza. A ironia, revelada logo em seguida, era simples: Nacirema é apenas American lido ao contrário. Miner descrevia, sob a lente etnográfica colonial, hábitos banais como escovar os dentes, ir ao dentista ou tomar remédios. O objetivo era claro: tornar o familiar exótico para forçar o distanciamento crítico de nossas próprias certezas socioculturais. Se levarmos Miner a sério, somos obrigados a perguntar: a própria ciência cognitiva de Dennett não seria um ritual cu...

Além do Zumbi Pedagógico: A Precarização do Ensino e os Limites da Inteligência Artificial

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O recente episódio em que um professor inseriu uma instrução invisível em um enunciado para expor o uso inadvertido de inteligência artificial em trabalhos escolares foi amplamente celebrado como um truque astuto. No entanto, o evento funciona menos como uma anedota de sala de aula e mais como um sintoma das contradições materiais e epistemológicas que atravessam a educação contemporânea. Quando o modelo de linguagem processou a instrução oculta e a integrou de forma fluida a um texto sobre a Revolução Industrial, o sistema expôs a mecânica descrita por Daniel Dennett em sua teoria das múltiplas camadas ( multiple drafts ): a "fama funcional". No fluxo computacional, o dado que ganha proeminência no processamento determina o resultado final. Ausente de um "Eu" central — o ultrapassado Teatro Cartesiano —, a máquina é incapaz de julgar a intenção do docente ou avaliar o contrassenso da instrução. Ela opera estritamente no encadeamento probabilístico de tokens. Essa i...

A FACE DE JANUS E O LEITO DE PROCUSTO: DISPOSITIVOS DE CAPTURA DA SUBJETIVIDADE NA DIREITA BRASILEIRA (1930-2022)

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A FACE DE JANUS E O LEITO DE PROCUSTO: DISPOSITIVOS DE CAPTURA DA SUBJETIVIDADE Autor: Luiz Henrique Eiterer Tema: Filosofia contemporânea, autoritarismo, educação para a liberdade e dispositivos de captura. A distinção entre filosofia clássica e contemporânea não se esgota na cronologia, revelando-se fundamentalmente ontológica e metodológica. Enquanto a filosofia clássica buscou historicamente a construção de sistemas totalizantes, verdades universais e a metafísica como alicerce do saber, a filosofia contemporânea caracteriza-se pelo rompimento com esses dogmas. Ela direciona seu olhar crítico para o questionamento da subjetividade, da linguagem, das relações de poder e da historicidade, rejeitando a pretensão de uma verdade absoluta e única. A Nostalgia Restauradora como Dispositivo de Captura A relação entre a filosofia clássica e determinados grupos políticos contemporâneos, em especial na extrema-direita, não configura...

A LÓGICA DO ENDIVIDAMENTO E A CRISE DA AUTONOMIA: UMA ANÁLISE SOBRE O MICROEMPREENDEDORISMO BRASILEIRO

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Resumo: Este texto analisa o cenário do endividamento de 1,6 milhão de microempresas em 2025, baseando-se em dados do Mapa Assertiva de Cobrança e Endividamento (2025). Discute-se a transição da promessa de liberdade empreendedora para a realidade da precariedade sistêmica. O mito da autonomia frente aos dados Ao observarmos os dados recentes do Mapa Assertiva de Cobrança e Endividamento (2025), somos convidados a uma reflexão que transcende a mera economia. Existe uma narrativa romantizada que associa o empreendedorismo à liberdade absoluta. Contudo, a realidade dos dados revela um cenário que, sob uma lente de Paulo Freire, podemos classificar como uma forma de opressão econômica. A predominância das microempresas no cenário de endividamento desmascara a ideia de que o pequeno negócio é o refúgio da liberdade. As razões elencadas pela pesquisa, como oscilações de custos e queda na demanda, evidenciam uma estrutura que mantém o microempreendedor em vulnerabi...

A reviravolta dos estudantes de Filosofia: o rena...

Resumo: Esta postagem explora a valorização de profissionais de filosofia no campo da inteligência artificial, destacando a transição do pensamento crítico acadêmico para a prática tecnológica, fundamentada na necessidade de ética e rigor reflexivo na sociedade do controle. Por muito tempo, o diploma em filosofia foi alvo de piadas sobre o desemprego. No entanto, o cenário mudou drasticamente. Laboratórios de inteligência artificial estão, hoje, a recrutar estes profissionais não por serem especialistas em código, mas por serem sábios da contradição — pensadores rigorosos capazes de questionar as premissas fundamentais da tecnologia que moldará o nosso futuro. O rosto da mudança: a trajetória de Robert Long Robert Long é um exemplo claro desta virada de chave. Desde cedo, questões como a natureza do livre-arbítrio acompanhavam o seu percurso. O que começou como uma reflexão acadêmica na pós-graduação em filosofia da mente, na NYU, transformou-se numa missão ...

As palavras e as coisas: o eu como sílaba na arquitetura da linguagem e liberdade.

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A Sílaba Primordial: Concepção da Linguagem e Liberação do Sentido INTRODUÇÃO (INSPIRAÇÃO EM OCTAVIO PAZ) Aqui, neste instante de leitura, onde o ar é somente um hiato entre o que se pensa e o que se escreve, sinto o eco da irmandade de Octávio Paz, lida no blog sobre Cosmologia Filosófica . O poeta, ao se reconhecer “um homem: sílaba” e “parte do todo”, convida-nos a habitar o tempo com a humildade do fragmento que, paradoxalmente, contém o universo . Não somos o rio inteiro, mas a gota que o sustenta. Se a liberdade (Foucaultiana e Freiriana) começa no cuidado de si e no ato de nomear o mundo , ela deve começar na sílaba – a menor unidade de som que carrega a possibilidade do sentido. Somos esta sílaba, um elo que se recusa a ser mudo, um eu que não é um ponto final, mas um traço em movimento. E assim, abrimos o livro da nossa própria práxis , onde o eu se inscreve na linguagem e liberdade . A PROSA POÉTICA: ...

Psicanálise, Foucault e a Questão da Cientificidade

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Psicanálise, Foucault e a Questão da Cientificidade O vídeo "Psicanálise é ciência? Críticas à psicanálise | Christian Dunker | Falando nIsso 128" revisita o debate sobre a cientificidade da psicanálise, abordando críticas epistemológicas históricas e contemporâneas. Do ponto de vista de Foucault, a relevância do vídeo não estaria em resolver a questão da "cientificidade", mas em iluminar os dispositivos de saber-poder em operação na própria discussão. Christian Dunker, ao detalhar a história da recepção da psicanálise, mostra como a definição de "ciência" (e, por extensão, de "não-ciência" ou "pseudociência") é uma construção histórica e cultural, e não uma verdade universal. Ele menciona: O caso Mesmer (1784) [00:57]: A investigação da Academia Francesa de Ciências sobre o magnetismo an...

Disciplinarização vs. Cuidado de Si: Uma Jornada Foucaultiana Rumo à Liberdade

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Foucault e a Filosofia da Liberdade: O Cuidado de Si como Resistência Foucault e a Filosofia da Liberdade: O Cuidado de Si como Resistência Em um mundo de vigilância e controle, será que a verdadeira liberdade ainda é possível? A resposta, segundo a filosofia de Michel Foucault, reside em uma prática milenar esquecida: o cuidado de si . Descubra como essa ideia se contrapõe às forças que nos moldam e se torna um caminho para a autonomia. A principal diferença entre a disciplinarização da subjetividade e o cuidado de si , ambos conceitos de Michel Foucault, reside na sua função, origem e objetivo . Enquanto a disciplinarização é um processo de poder e controle imposto de fora para dentro, visando a normalização e a obediência, o cuidado de si é uma prática de liberdade e resistência , que vem de dentro do próprio sujeito, com o objetivo de construir uma existênci...

O governo do vazio

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12:30 LIPOVETSKY, Giles. A era do vazio: ensaio sobre o individualismo contemporâneo . Prefácio de Manuel Maria Carrilho. Lisboa: Edições 70, 2016. Doravante, tudo indica que o deserto é o conceito para compreender a sociedade contemporânea. Um deserto paradoxal, de tipo inédito, sem catástrofe, sem inflamar, sem se identificar com o nada, sem trágico e nem apocalipse. O mundo interior dirigido pelo próprio interior, introdeterminado  ou auto-absorvido, e não mais ou menos pelo Outro, extrodeterminado, dá lugar ao deserto, um novo tipo de personalidade, uma nova consciência indeterminada, disponível e flutuante. O novo deserto é auto-absorvido, discreto, sem barreiras, indeterminado, bacana, indicativo, prático, sob medida, pacificado, caloroso, flexível, disponível e flutuante. ……………………………………………………………………………………………… Os grandes eixos modernos, a revolução, as disciplinas, o laicismo, a vanguarda, foram desafectados à força de personalização hedonista...